Lula, populista?Até que ponto?

Por Mateus de Souza

Este mês, com as crescentes propagandas políticas e inúmeras campanhas de governo, reparei que o PT, partido do presidente Lula, sempre trás muito mais pessoas e muitos mais “apaixonados” pela política e pelos políticos. Mas qual o porquê deste fato? Seria o populismo Lulista e a tradição de popularidade do partido? Pode ser. Desde que começou sua carreira política Lula sempre se mostrou um político popular, que se veste como o povo, que come as comidas do povo, que vai as casas do povo e etc. Ele se caracteriza por idéias populistas, sim, ele é um populista nato. Mas o que diferencia Lula, de outros populistas clássicos que marcaram a história? Lula é um populista que se apóia nas camadas mais baixas como de tradição, ele trás o nacionalismo ao povo e tenta tornar sua imagem como de mais uma pessoa. O que é o diferencia é que Lula não se fixa apenas em uma coisa, não apenas nos pobres. Sua fama é mundial e atribuem a ele o grande crescimento recente do Brasil. Em meu conceito o presidente brasileiro é um populista diferenciado e balanceado, conseguindo estabelecer a igualdade. A grande crítica ao Lula é pela demasiada semelhança com o povo, com seu modo de falar e etc. Mas, foi com este homem que é considerado analfabeto por muitos, que crescemos como nunca havíamos crescidos e hoje somos uma potência econômica e ele se tornou um símbolo mundial como citou Marco Bahé: “Depois do francês Le Monde e do espanhol El Pais, chegou a vez da revista novaiorquina Newsweek rasgar seda para o presidente Lula. O periódico vem essa semana com uma reportagem em que classifica Luis Inácio como “o político mais popular da Terra”(23/09/09). Lula é o populista esperto, que soube lidar com as modernidades e agora tornou-se um marco na historia mundial e brasileira.

Populismo Brasileiro

Por Uólace Tridenti da Silva

uolacesilva@rotimeio.com


“Boa noite. Em Brasília 19 horas. Está no ar a sua voz, a nossa voz, a Voz do Brasil – entra a música de Villa Lobos”

Companheiros e companheiras, nunca antes na história deste país houve tanta influência do populismo nos caminhos da política brasileira. O populismo se tornou uma forma segura de se ganhar uma eleição. Quer ganhar uma eleição? Agrade as massas! Embora não seja realmente de tanta importância atender seus pedidos, eles não têm voz mesmo pra reclamar depois… O populismo tem recebido muitos adeptos, tanto que a ideologia Populista criou seu próprio livro, o qual transmite suas idéias, o best-seller “Manifesto Populista”. Sabe qual é o principal ingrediente que os populistas

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“Ele é igual à gente, ele é do povo”

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usam para convencer alguém? Sua ingenuidade! O Brasil então, um prato cheio. Cheio não, vazio de fome. “Ele é igual à gente, ele é do povo”. Quer ser do povo? Perca um dedo! Todo mundo vai ver que você sabe como é a vida dura de um trabalhador e que entende os problemas dos mais pobres.

Deixando as brincadeiras de lado. O populismo brasileiro deve ser tratado de forma minuciosa, pois ele vem definindo as estruturas do país. As ações tomadas pelos líderes escolhidos tem sido cada vez mais influenciadas pelo contentamento do povo. Tem-se registro do início do populismo como forma de governo no início da Era Vargas. Essa época trouxe repercussões que permanecem até hoje, como modos de campanha e “a nossa voz, a Voz do Brasil”. O populismo vem então bastante presente na história política do país e vem se intensificando cada vez mais. O que o povo deve fazer é ter a noção do que realmente vai ser feito ou não no que foi dito no discurso do candidato. Estamos em época de eleição para presidente da República, então nossa atenção deve ser redobrada. O destino do país está nas mãos do povo, depende dele se seremos governados por um político sério ou um demagogo.

(Uólace Tridenti da Silva é o pseudônimo de Vitor Amaral)

Artigos sobre o Populismo

Pessoal,

enfim postamos os artigos sobre o Populismo, apesar de poucas pessoas terem enviado, recebi ótimos textos, entretanto, tivemos que escolher alguns e foram escolhidos os de Danilo Luna e Danielle Patrícia. Muito importante ver como eles construíram seus artigos de forma opinativa, nos mostrando o que pensam e utilizando imagens para enriquecer o texto. Parabéns a todo!

Uma pequena observação é que apesar de termos escolhido esses textos, não compartilho da mesma opinião, mas é importante que todos expressem o que acham.

Até amanhã na aula!

Lula: Popular ou Populista?

Por Danielle Patrícia.

Luís Inácio Lula da Silva, ou simplesmente “LULA” é um importante personagem do cenário político Brasileiro, e

destaca-se  por seu carisma e popularidade. Mas, o que este líder é, realmente, POPULAR ou POPULISTA?


O governo Lula pode ser considerado uma forma nova de populismo ?

A base social do governo Lula são os setores marginalizados , são os desempregados sem qualificação, os subempregados, os trabalhadores informais, os camponeses empobrecidos do nordeste que sustentam a faceta populista do governo Lula. A  política social do Governo Lula é representada principalmente pelo Bolsa Família, tanto por um discurso quanto por uma prática populista,  que individualiza, pulveriza os beneficiários, passando a idéia que o benefício é uma dádiva do presidente pai de família, de origem pobre e que vai tomar conta do “povo brasileiro”.  É nesse sentido que as políticas populistas são danosas para as classes trabalhadoras por desencorajar a  lutar por direitos sociais.

Com a expectativa de receber alguma ajuda do governo, esses setores, influenciados pela ilusão de um Estado protetor, não se organizam e não se constituem como classe em luta pelos seus interesses.  Lula não pode ser considerado populista na sua totalidade porque a sua política econômica não reserva nenhum privilégios às classes trabalhadoras, especialmente àquelas frações que formam a base de apoio ao lado populista do governo.

No entanto, em sua forma de governar ele   utiliza de vários recursos para obter apoio popular, tais como: Uma linguagem simples e popular, usa e abusa da propaganda pessoal afirmando não ser igual aos demais políticos, diz ser capaz de resolver todos os problemas sociais,inclusive opina em questões internacionais, o Brasil no seu governo, nunca deu “tanto o que falar”, seja por ser um governo polêmico em suas opiniões, como também por sua postura como governo.

Exaltando o Brasil internacionalmente, despertando no “povo” o orgulho de ser brasileiro.

Por estas razões, acredito que   o  governo Lula é neopopulista.

Ótimo para ele, péssimo para a gente

Por Danilo Luna Campos


É muito fácil chegar no auge de um país e fazer com que ele cresça um pouco mais e depois ficar dizendo incansavelmente “Nunca na história desse país…”

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A população está se contentando com o aumento do nível social de miserável para pobre.

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Em alguns dicionários pode-se achar facilmente o significado para populismo: Diz-se da pessoa amiga do povo. Realmente os populistas são isso, ou pelo menos aparentam ser… Os populistas são feitos basicamente de cara de pau e criatividade, isto é, eles criam vários meios de conquistar a confiança do povo mesmo que tenham que ser o mais falso possível, e então as pessoas acabam caindo neste jogo de enganação e começam a idolatrar este “grande amigo”.

O nosso glorioso Luís Inácio Lula da Silva nos chama o tempo todo de companheiros para passar a ideia cada vez mais que somos mais e mais íntimos dele e que ele é realmente nosso “camarada” e que podemos sempre contar com as ajudinhas que ele dá com o bolsa família, bolsa escola… Mas na realidade estamos sendo manipulados sem perceber, estamos aceitando alguns trocados em troca do nosso voto, e é assim que ele vai ganhando a maioria da população, isto é, a população está se contentando com o aumento do nível social de miserável para pobre.

Populismo no México e na Argentina

Érica Ribeiro Maroquio Ramos

Cárdenas

Apesar de pontos em comum, o populismo nos diferentes países da América Latina tem apresentado características bem distintas. A conclusão de que não há um modelo aplicável, em todos os casos, tem sido uma das tônicas da nova historiografia sobre o tema, preocupado em chamar a atenção para as singularidades de cada caso. Nesse sentido, realizamos comparações tendo em vista o caso argentino e mexicano.

No México, o populismo começa com Cárdenas, que chegou ao poder eleito pelo Partido Nacional Revolucionário em 1934. Precisamos compreender que, se na Argentina a presença indígena era mínima, no México, os camponeses participaram da revolução, conhecidos como “esfarrapados”, liderados por dois padres. Entre eles, o padre Morelos chegou a esboçar um projeto pelo qual a própria Igreja cederia terras. A presença camponesa é bastante incomum nos processos de transição e revolução dentro da América Latina.

Na segunda metade do século XIX, no México, no governo de Porfírio Diaz, a tradicional propriedade comunal indígena foi desmantelada. Esse foi o estopim da revolução. Zapata e Francisco Villa elaboraram seus planos baseados em terras para os “despossuídos”. A revolução camponesa durou dez anos; instituíram mudanças notáveis e muitas perdas humanas em batalhas sangrentas. Depois de 1915, a burguesia ficou com o movimento nas mãos. Seus líderes, além de vencidos, foram assassinados.

Zapata Francisco Villa

Na Constituição mexicana, em 1917, fica lavrada a reforma agrária, um ideal zapatista. Na década de 20, os norte-americanos pareciam querer frear todo o processo de reivindicações e a Constituição parecia morta. A crise de 1929 repercutiu de maneira avassaladora no México devido à queda do preço da prata, juntamente com o ouro, o cobre e o zinco. Essa crise somou-se à petrolífera e, mais ainda, à da agricultura: milho, feijão e até mesmo algodão tiveram seus preços baixados, além da queda na produção, por causas naturais.

As migrações internas, em função do desemprego, em 1932, aconteceram em um percentual razoável em direção às cidades. Nos anos 20, não havia organizações camponesas em número expressivo. Ainda que o CROM ora ou outra fizesse um levante, o maior deles foi “A Revolta dos Cristeros” (1926-1929). Havia duas grandes forças no México: a “caudilhesca”, dos partidários de Obregòn, defensores de lealdades pessoais, liderança individual e atomização de poderes; e os ligados a Cailes, querendo a centralização do poder, superando a fragmentação econômica e política pós-revolucionária. A corrente vitoriosa, de Cárdenas, constituiu uma combinação das anteriores.

O pacto Roca-Runciman, em 1930, evidencia o interesse estrangeiro: por tal acordo entre Inglaterra e Argentina, os ingleses manteriam a quota de importação de carnes, embora pudessem restringi-la quando conviesse, e os argentinos se comprometiam a fazer inúmeras concessões, como câmbio favorável, tarifas importadoras e transportes internos. As críticas foram contundentes e espalhou-se o epíteto de “vende-pátria”; contudo, o pacto se manteve, porque, segundo os conservadores, o que era bom para eles deveria ser ótimo para a nação.

Em meio, há protestos contra o pacto Roca-Runciman e a década de 30, conhecida como “infame” em função das suas eleições fraudulentas e constantes consertos baseados em legalidade constitucional, permitiu que fossem eleitos, respectivamente: em 1931, o General Justo; em 1937, Ortiz, que renunciou em 1942, sendo substituído por Castillo.

No México, Cárdenas, no governo, assumiu como plataforma o “Plano Sexenal”, elaborado por seu partido em 1933. Ao Estado caberia uma participação ampla, direta ou indireta, na organização e dinamização das forças de produção e da acumulação de capital. E que a política econômica deveria eliminar a dependência externa e o governo deveria atuar como efetivo e generalizado, para fazer a Constituição atuar sobre as relações de produção, já que as massas são o fator mais importante da coletividade mexicana. A crise de 29 abriu no México a possibilidade de um governo mais realista, disposto a lidar com as problemáticas mexicanas. Em 1933, o México começou a superar a crise e, em 1934, já estava bem melhor.

Cárdenas agilizou a reforma agrária; no entanto, alguns conceitos foram modificados: o “ejido” pós-revolucionário é propriedade da nação, cedida em usufruto individual, perpétuo e hereditário, não é uma propriedade comunal, e sim uma pequena propriedade privada. O latifúndio recebeu um duro golpe; mesmo assim, em 1940, o censo registrou cerca de 300 propriedades de mais de 40 mil hectares e a agricultura permaneceu forte. Cárdenas tomou providências, como ter fundado o Banco Nacional de Crédito Ejidal, para financiamento de “ejidos”. Seu perfil começou a delinear-se: concessão de terras aos camponeses, ataque aos latifundiários, rastro da Revolução Mexicana. Em 1930, a população mexicana era predominantemente rural.

Além das fraudes eleitorais argentinas, outras arbitrariedades foram praticadas contra os oposicionistas, conhecidos como anarquistas, socialistas e comunistas, em sua maioria. Na verdade, a época de 30 também demonstrou um grande crescimento industrial, principalmente nos ramos de alimentos, têxteis e metalurgia leve. No entanto, a indústria de base não logrou sua construção, permanecendo a agricultura como a rocha de sustentação econômica.

O golpe de 43 é um pouco estranho, porque, se foram os militares seus articuladores, qual o motivo para derrubar o golpe de 30, elaborado pelos mesmos? A resposta nos concede uma perspectiva das Forças Armadas divididas, seus vínculos eram diferentes: o General Uriburu (conservador) e o General Dellepiane (com seu radicalismo yriegoyenista) propiciou o surgimento, em 1942, do GOU (Grupo de Oficiales Unidos) caracterizado pelo nacionalismo, com pretensões hegemônicas da Argentina na América do Sul e com simpatias nazi-fascistas. Em suma, o golpe fora desferido por uma ala das Forças Armadas, nacionalistas, simpatizantes do Eixo, na 2ª Guerra mundial, saudado pelos grupos oposicionistas em geral, cansados da arbitrariedade do conservadorismo.

Juan Perón

No final de 1943, o golpe já mostrava sua face: era autoritário, conservador, dissolveu todos os partidos políticos, suprimiu laicismo escolar, tornando o ensino religioso obrigatório para gáudio da Igreja Católica. Ambos os golpes – o de 30 e o de 43 – são conservadores, porém possuem suas diferenças ferozes: em 1930, estavam vinculados a interesses exportadores e mantinham uma fachada legal e liberal. O de 1943 tinha pretensões nacionalistas, expansionistas, era antiliberal e antidemocrático, anunciando uma fase mais “moderna” na industrialização argentina. Ligado ao GOU estava Juan Domingo Perón e se constituiu na “eminência parda”, acumulando cargos de Vice-Presidente da República, Ministro da Guerra e seu recém-criado cargo na “Secretaria de Trabajo y Pevisiòn”. Nesta última, pretendia obter o apoio dos trabalhadores. No campo, a concretização do “Estatuto do Peão” não alterava as relações entre patrões e trabalhadores, mas reconhecia sua existência. Nas cidades, além do cumprimento das leis trabalhistas, ele institui o Aguinaldo, espécie de 13º salário. Por outro lado, Perón desarticulou os sindicatos mais politizados (anarquistas, comunistas e socialistas), usando de violência quando necessário. Unificou a Previdência Social e ampliou os benefícios da lei de dispensa dos trabalhadores.

Baseado no livro de Maria Lígia Pardo, O populismo na América Latina