OSTALGIE: Saudades da Alemanha Oriental

OSTALGIE: Saudades da Alemanha Oriental PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carolina Dantas
Ter, 22 de Dezembro de 2009 07:47
Símbolos da RDA em um museu em Dresden - Fonte: dpa/paSímbolos da RDA em um museu em Dresden – Fonte: dpa/pa

Ostalgie é uma palavra nova na língua alemã que começou a aparecer depois da queda do Muro de Berlim, mas que só se tornou popular nos últimos anos. Ela é a junção de Ost, que em alemão significa leste e Nostalgie, nostalgia. Em bom português, saudades do leste, que significou até 1989 Alemanha Oriental, a Deutsche Demokratische Republik (DDR), parte do país que após a Segunda Guerra Mundial ficou sob o controle do regime soviético.
A desilusão com a atual economia europeia e os índices de desemprego explicam a Ostalgie, segundo alguns estudiosos. Como as promessas de desenvolvimento econômico e social realizadas após a queda do muro não chegaram igualmente para todos, muitos buscam no passado o alívio para seus problemas. Até a falta de liberdade daquela época torna-se um aspecto subordinado a esses sentimentos.

Ao falar do assunto, a moradora da pequena Leer, no norte do país, Ulla Wagner se emociona. “Mesmo com a dificuldade, acho que foram os melhores anos da minha vida”, comenta. Quando o murou caiu, ela compartilhou com todos os alemães uma euforia profunda; porém, hoje, sente saudades. “Naturalmente não desejo que sejamos separados novamente, apenas lembro com carinho das coisas da DDR”. O sentimento de Ulla é compartilhado por milhares de alemães, independentemente da idade. Sofia Winkler, 23 anos, mal se lembra da queda do muro, mas coleciona uma enorme variedade de itens da Alemanha Oriental.

O cinema alemão contemporâneo também tem retratado este sentimento em filmes como “Adeus Lênin” e “A Vida dos Outros”. De certa forma, foi o sucesso mundial de “Adeus Lênin” que tornou a Ostalgie mundialmente conhecida, tendo conquistado adeptos até mesmo em outros países. O japonês Misuri Fujita, 23 anos, que hoje estuda germanística na cidade de Bremen, coleciona itens do leste alemão. O jovem consegue comprar produtos originais em bom estado de conservação na página na internet do Ebay mesmo quando está no Japão, provando que a Ostalgie, apesar de ser um sentimento tipicamente alemão, cativa e emociona pessoas do mundo todo.

http://www.alemanja.org/alemanha-historia/1572

Ainda há berlinenses que lamentam queda do Muro

Ainda há berlinenses que lamentam queda do Muro

Mais de 10% dos berlinenses prefeririam que o Muro ainda existisse. Pesquisa aponta que preconceitos entre moradores dos dois antigos lados tendem a diminuir, mas ainda existem.

 

Segundo o cientista político Oskar Niedermayer, mais de 10% dos moradores das antigas Berlim Ocidental e Oriental gostariam que o Muro ainda dividisse a cidade. A pesquisa, realizada pelo Instituto Forsa para a Universidade Livre de Berlim (Freie Universität Berlin) consultou aproximadamente dois mil moradores da capital alemã e seus arredores.

Niedermayer observa que a mudança mais significativa de atitude em relação à ausência do Muro na cidade pode ser verificada entre a população da então Berlim Oriental: se hoje 12% dos moradores dizem que preferiam a cidade dividida, os “amantes do Muro” eram só 7% em 2004.

Em outras regiões, ao contrário, o sentimento de que a cidade “era melhor com Muro” era mais acentuado há quatro anos, quando enquetes realizadas pelos dois maiores institutos de pesquisa do país apontaram que aproximadamente 20% dos cidadãos tinham saudades dos tempos de Muro.

Preconceitos continuam existindo

Bar 'de praia' com resquícios do Muro ao fundoBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Bar ‘de praia’ com resquícios do Muro ao fundoMesmo que em proporções bem menores que nos anos 1990, muitos moradores da parte da cidade que pertencia à ex-Alemanha Oriental (ossis), de regime comunista, continuam mantendo precoceitos contra os então ocidentais (wessis). E vice-versa.

Nos anos que sucederam à queda do Muro, era comum encontrar moradores do leste do país afirmando que o a ex-Alemanha Oriental havia sido “colonizada” pelos ocidentais. Hoje, tais declarações são feitas quase que somente por minorias nos subúrbios ao leste de Berlim. No lado ocidental, por outro lado, continua disseminada a idéia de que os orientais nutrem um excesso de autocompaixão.

Um ponto que une aqueles que lamentam a queda do Muro é a data de nascimento: a maioria nasceu antes de 1973, ou seja, os preconceitos e o saudosismo em relação à cidade dividida está menos presente entre os jovens.

Pavilhão comemorativo

'Pavilhão do Muro' deverá ser construído na Bernauer StrasseBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  ‘Pavilhão do Muro’ deverá ser construído na Bernauer StrasseO Muro de Berlim foi derrubado na histórica noite do 9 de novembro de 1989, quando milhares de pessoas puderam, após décadas, cruzar livremente a fronteira entre as duas partes da Alemanha divida. Nos anos que se seguiram, foram demolidas 300 torres de controle e mais de 80 quilômetros de cerca de metal que circundavam a cidade. Mais tarde, foram removidas 160 mil toneladas de concreto.

Devido a uma reclamação constante dos turistas, que se dizem insatisfeitos com o pouco que restou do Muro para ser observado (apenas o Museu Checkpoint Charlie conta a história da barreira de concreto que dividia a cidade), a prefeitura de Berlim resolveu criar um “pavilhão do Muro”, a ser inaugurado em 2009, quando da celebração dos 20 anos de queda do mesmo.

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,3516608,00.html

“Fomos orientados a impedir a travessia a qualquer preço”

“Fomos orientados a impedir a travessia a qualquer preço”

Como membro do Exército da antiga Alemanha Oriental, Peter Zahn atuou na guarda do ponto mais perigoso da fronteira interalemã, no extremo oeste do bloco Oriental. Ele falou à DW-WORLD sobre a experiência.

 

DW-WORLD: Quais eram suas tarefas como guarda da fronteira do Exército da antiga Alemanha Oriental, o NVA?

 

Peter Zahn: Servi como guarda de fronteira no NVA da Alemanha Oriental de 2 de maio a 29 de outubro de 1968 como parte de meus 18 meses de serviço militar básico. Nos dois anos e meio seguintes, fui soldado e depois cabo no batalhão de fronteira em Geisa, na região de Rhön. Naquele tempo, Geisa era a principal cidade mais a oeste da Alemanha Oriental e no bloco oriental, totalmente dominado pelos soviéticos.

 

Embora nunca tivéssemos usado nossas armas de fogo contra fugitivos, pelo menos enquanto eu estava lá, a área de Geisa foi o ponto mais perigoso durante a Guerra Fria. Supunha-se que, em caso de guerra, os Estados do Pacto de Varsóvia iniciariam um ataque a partir desta área.

 

Uma de nossas tarefas era observar a fronteira, o que incluía inteligência tática das que eram então potências hostis (como as Forças Armadas norte-americanas nas imediações), protegendo a fronteira e cumprindo as tarefas de alfândega. Outra e mais importante tarefa era impedir as pessoas de atravessar ilegalmente ou de destruir as instalações da fronteira.

 

Nunca recebemos ordens explícitas para atirar, mas éramos diariamente instruídos a impedir a travessia a qualquer preço. Éramos também responsáveis pela zona interditada (5km) e pela “área proibida”, próxima a ela (500m).

 

Como os alemães orientais reagiam a vocês?

 

Bildunterschrift: Fronteira onde trabalhou Zahn, nas proximidades de Geisa

A população sentia raiva e alguns até mesmo nos odiavam porque tínhamos que efetuar inspeções de veículos e pessoas nas estradas.

 

Se um médico local, de quem também éramos pacientes e conhecíamos bem, queria visitar um paciente numa vila vizinha, tínhamos que revistar o porta-malas de seu carro. Quando ele retornava, era realizado o mesmo procedimento novamente. Como cidadãos, teríamos acabado com este tipo de contra-senso, mas nunca sabíamos se o viajante era um espião da polícia de fronteira e iria informar os chefes dos controles relaxados.

 

Também tínhamos que prestar atenção para que os agricultores deixassem seus campos na área proibida uma hora antes do pôr do sol. Eles ficavam realmente irritados em alguns casos.

 

Ao todo, nosso relacionamento com a população civil não era negativa. Alguns de nós encontraram namoradas e até futuras esposas nas vilas dos arredores.

 

Você foi doutrinado por seus superiores?

 

Recebíamos aulas de política, embora não se esperasse que adotássemos a mesma linha da postura oficial. Entretanto, nossos superiores passavam suas impressões sobre nossas atitudes políticas a um representante do Ministério de Seguraça, que visitava nosso batalhão na fronteira regularmente e incógnito. Os oficiais sempre ficavam meio nervosos durante essas visitas, mas nós não ligávamos.

 

O que a fronteira significou para você, pessoalmente ou como soldado?

 

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Zahn agora vive em Leipzig e é chefe do serviço de informática da Escola Superior de Música e Teatro

Devido às minhas experiências pessoais e à educação política que recebi em casa e na escola, via a fronteira como necessária – por exemplo, quando médicos educados na Alemanha Oriental desejavam ir morar no Ocidente depois de seus estudos.

 

Ao mesmo tempo, era estranho. A idéia de atirar em outras pessoas era simplesmente inimaginável. Os fugitivos eram, freqüentemente, jovens que não sabiam quais consequências suas ações teriam para suas famílias, por exemplo, e não podiam ser considerados culpados. Penso que todos no nosso batalhão sentiam da mesma forma e – graças a Deus – nunca nos deparamos com tal situação.

 

Nossa parte da fronteira era um paradoxo,  realmente. Em contraste com seu suposto significado geoestratégico, que nunca conseguimos apreender realmente, as coisas eram relativamente calmas. Não pode ser comparado com a situação no Muro de Berlim, onde as tropas de fronteira constantemente se viam defrontadas com a decisão de atirar em fugitivos.

 

Como você vivenciou a queda da Cortina de Ferro?

 

Previ a reunificação anos antes, ainda que não soubesse exatamente quando ela ocorreria. O 9 de novembro de 1989 foi muito mais emocionante para mim. Enquanto estava trabalhando como assistente acadêmico no Departamento de Física daquela que era, então, a Universidade Karl Marx, fui solicitado a me tornar reservista. Depois de muita hesitação, concordei.

 

Depois que o Muro caiu, ficamos num estado de delírio. Submetemos um pedido para encerrar nossas atividades de reservistas, que foi aprovado poucos dias depois. Visitamos Helmstedt e Braunschweig na Alemanha Ocidental, o que teria sido impossível antes. No NVA até mesmo ouvir estações de rádios ocidentais era punível, e agora estávamos visitando o oeste da Alemanha.

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,2230747,00.html

Material de auxílio para o Júri Simulado

 

 

 

 

Meus Queridos,
seguem alguns links que podem lhes ajudar no Júri Simulado.
Até terça!
Luiz Paulo

Matérias do site Uol Educação

http://educacao.uol.com.br/historia/guerra-fria-inicio.jhtm

http://educacao.uol.com.br/historia/guerra-fria-evolucao.jhtm

http://educacao.uol.com.br/historia/ult1690u30.jhtm

http://educacao.uol.com.br/historia/guerra-fria-crises.jhtm

 

Revistas VEJA da época

http://veja.abril.com.br/arquivo_veja/guerra-fria-comunismo-capitalismo-eua-urss-nixon-mao-reagan-gorbachev.shtml

http://veja.abril.com.br/historia/video.shtml

 

Ótimos textos da TV Cultura

http://www.tvcultura.com.br/aloescola/historia/guerrafria/index.htm

Mais textos

http://www.culturabrasil.pro.br/guerrafria.htm

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/guerra_fria.htm

http://www.comciencia.br/reportagens/guerra/guerra07.htm

 

Vídeos

http://www.youtube.com/watch?v=IIffbV6ZDgg

http://www.youtube.com/watch?v=Ysh6fMoSq2g

Guerra Fria

A Guerra Fria foi um período em que a guerra era improvável, e a paz, impossível. Com essa frase, o pensador Raymond Aron definiu o período em que a opinião pública mundial acompanhou o conturbado relacionamento entre os Estados Unidos e a União Soviética.


Cenário oriental da Guerra Fria
A divisão do mundo em dois blocos, logo após a Segunda Guerra Mundial, transformou o planeta num grande tabuleiro de xadrez, em que um jogador só podia dar um xeque-mate simbólico no outro. Com arsenais nucleares capazes de destruir a Terra em instantes, os jogadores, Estados Unidos e União Soviética, não podiam cumprir suas ameaças, por uma simples questão de sobrevivência.

A paz era impossível porque os interesses de capitalistas e de comunistas eram inconciliáveis por natureza. E a guerra era improvável porque o poder de destruição das superpotências era tão grande que um confronto generalizado seria, com certeza, o último. Hoje, podemos ver isso claramente. Mas, na época, a situação se caracterizava como o equilíbrio do terror.

 


Quando começou e quando terminou a Guerra Fria

Não existe um consenso sobre a data exata do início da Guerra Fria. Para alguns estudiosos, o marco simbólico foi a explosão nuclear sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. Outros acreditam que seu início data de fevereiro de 1947. Foi quando o presidente norte-americano Harry Truman lançou no Congresso dos Estados Unidos a Doutrina Truman, que previa uma luta sem tréguas contra a expansão comunista no mundo. E há também estudiosos que lembram a divisão da Alemanha em dois Estados, em outubro de 1949. O surgimento da Alemanha Oriental, socialista, estimulou a criação de alianças militares dos dois lados, tornando oficial a divisão da Europa em dois blocos antagônicos. Poderia ser esse o marco inicial da Guerra Fria. Não há consenso também sobre quando terminou a Guerra Fria. Alguns historiadores acreditam que foi em novembro de 1989, com a queda do Muro de Berlim, um dos grandes símbolos do período de tensão entre as superpotências. Nessa mesma perspectiva, o marco final da Guerra Fria poderia ser a própria dissolução da União Soviética, em dezembro de 1991, num processo que deu origem à Comunidade dos Estados Independentes. E outros analistas, ainda, consideram que o período terminou não em dezembro, mas em fevereiro de 1991, quando os Estados Unidos saíram da Guerra do Golfo como a maior superpotência de uma nova Ordem Mundial.

“Quando se tenta delimitar os marcos da Guerra Fria, as pessoas escolhem datas que enfatizam aquilo que lhes parece ser o mais importante. Por exemplo, aqueles que acham que a questão nuclear é o principal, dirão que a Guerra Fria começou em 1945, com Hiroshima e Nagasaki, e terminou em 72, com os acordos do Salt-1.

Para aqueles que acham que o principal foi a relação entre os blocos, os marcos serão, provavelmente, a Doutrina Truman, em 1947, e a queda do Muro de Berlim, em 1989. Mas a Guerra Fria foi muito mais do que apenas uma disputa armamentista ou geopolítica. Ela teve uma importante dimensão cultural, que colocou em movimento um jogo simbólico do Bem contra o Mal.
Guerra do Golfo: fim de uma época ?

Ela mexeu com a imaginação das pessoas, criou e reforçou preconceitos, ódios e ansiedades. Nesse sentido mais amplo, dois marcos parecem ser mais adequados quando se trata de dar à Guerra Fria o seu conteúdo simbólico mais abrangente: o seu início foi a conquista de um novo poder, a bomba atômica, e o seu fim foi a Guerra do Golfo, quando os Estados Unidos escolheram outros símbolos do Mal para ocupar o lugar que antes pertencia ao comunismo, como o chamado fanatismo islâmico ou o narcotráfico.”

José Arbex Jr.
jornalista

Socialismo e capitalismo: dois ideais de felicidade

A Guerra Fria se manifestou em todos os setores da vida e da cultura, representando a oposição entre dois ideais de felicidade: o ideal socialista e o ideal capitalista. Os socialistas idealizavam uma sociedade igualitária. O Estado era o dono dos bancos, das fábricas, do sistema de crédito e das terras, e era ele, o Estado, que deveria distribuir riquezas e garantir uma vida decente a todos os cidadãos. Para os capitalistas, o raciocínio era inverso. A felicidade individual era o principal. O Estado justo era aquele que garantia a cada indivíduo as condições de procurar livremente o seu lucro e construir uma vida feliz. A solução dos problemas sociais vinha depois, estava em segundo plano. É por isso que a implantação de um dos dois sistemas, em termos mundiais, só seria viável mediante o desaparecimento do outro. Nenhum país poderia ser, ao mesmo tempo, capitalista e comunista. Esta constatação deu origem ao maior instrumento ideológico da Guerra Fria: a propaganda.

A força da propaganda

A partir do final dos anos 40 e nas décadas de 50 e 60, o mundo foi bombardeado com imagens que tentavam mostrar a superioridade do modo de vida de cada sistema. Para ridicularizar o inimigo, os dois lados utilizavam muito a força das caricaturas. A propaganda serviu para consolidar a imagem do mundo dividido em blocos. A novidade era o surgimento do bloco socialista na Europa, formado pelos países com governos de orientação marxista: Alemanha Oriental, Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia, Iugoslávia, Albânia e Bulgária. No mundo ocidental, os capitalistas procuravam mostrar que do seu lado a vida era brilhante. As facilidades tecnológicas estavam ao alcance de todos. Os cidadãos comuns possuíam carros e bens de consumo, tinham liberdade de opinião e de ir e vir. Segundo a propaganda ocidental, a vida no lado socialista, retratada em diversos filmes de Hollywood, era triste e sem brilho, controlada pela polícia política e pelo Partido Comunista. No mundo socialista, as imagens mostravam exatamente o contrário. A vida no socialismo era alegre e tranqüila. Os trabalhadores não precisavam se preocupar com emprego, educação e moradia. Tudo era garantido pelo Estado. A cada dia, as novas conquistas tecnológicas, especialmente na área militar e espacial, mostravam a superioridade do socialismo. A propaganda socialista mostrava, ainda, o mundo ocidental como decadente e individualista, onde o capitalismo garantia, para alguns, uma vida confortável. E para a maioria, uma situação de miséria, privações e desemprego.

 


O mundo em perigo: armamentismo e corrida espacial

A guerra da propaganda ganhou ainda mais impulso com o acirramento da corrida armamentista, nos anos 50. A corrida teve início com a explosão das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, em 1945. Quatro anos depois, em 49, foi a vez de a União Soviética anunciar a conquista da tecnologia nuclear. Foi o mesmo ano da criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN. A resposta viria em 1955, quando a União Soviética construiu sua própria aliança, o Pacto de Varsóvia. As superpotências passaram a acumular um poder nuclear capaz de aniquilar o planeta em instantes.


Gagarin: primeiro homem no espaço
Um componente fundamental da corrida armamentista foi a disputa pelo espaço. Em 1957, os soviéticos colocaram em órbita da Terra o primeiro satélite construído pelo homem, o Sputnik-1. Em 61, os soviéticos fariam uma nova demonstração de avanço tecnológico: lançaram o foguete Vostok, a primeira nave espacial pilotada por um ser humano. O jovem cosmonauta Yuri Gagarin viajou durante cerca de 90 minutos em órbita da Terra, a uma altura média de 320 quilômetros.

Os Estados Unidos reagiram. Num histórico discurso em maio de 61, o presidente John Kennedy prometeu que, em menos de 10 anos, um astronauta norte-americano pisaria o solo da Lua. Toda a estrutura tecnológica e científica foi direcionada para o programa espacial. Cumprir a promessa de Kennedy era mais do que um desafio científico: era um compromisso político.

Em 20 de julho de 1969, o grande momento: o astronauta Neil Armstrong, comandante da missão Apollo-11, e o piloto Edwin Aldrin pisam o solo lunar. A conquista norte-americana foi transmitida ao vivo pela TV, e acompanhada por mais de 1 bilhão de pessoas no mundo todo.
Neil Armstrong na Lua: ao vivo na TV

É claro que a corrida espacial tinha também, desde o começo, um significado militar. Se um foguete podia levar ao espaço uma cachorrinha como a Laika, sem dúvida poderia transportar equipamentos bem menos inofensivos, como ogivas nucleares. A combinação da tecnologia nuclear com as conquistas espaciais colocou o mundo na era dos mísseis balísticos intercontinentais. Um míssil disparado em Washington, por exemplo, poderia atingir Moscou em cheio em apenas 20 minutos. O aperfeiçoamento constante das armas acentuou a corrida armamentista. A conquista sistemática de novas tecnologias, nos dois blocos, incentivou o desenvolvimento de um ofício milenar: a espionagem.

 


CIA x KGB A espionagem foi um dos aspectos da Guerra Fria mais explorados pelo cinema. O espião mais famoso das telas, James Bond, criado por um ex-agente do serviço secreto britânico, Ian Fleming, vivia aventuras glamourosas e bem distantes da realidade. No mundo real, as duas grandes agências de espionagem, a KGB soviética e a CIA americana, treinavam agentes para atos de sabotagem, assassinatos, chantagens e coleta de informações. Nos dois lados criou-se um clima de histeria coletiva, em que qualquer cidadão poderia ser acusado de espionagem a serviço do inimigo. Na União Soviética, Stalin contribuiu para esse clima, confinando muitos de seus adversários em campos de concentração na Sibéria. Nos Estados Unidos, o senador anticomunista Joseph McCarthy promoveu uma verdadeira caça às bruxas, levando ao desespero inúmeros intelectuais e artistas de Hollywood, acusados de colaborar com Moscou.


Fidel e Khruschev: iniciativa perigosa

 

http://www.tvcultura.com.br/aloescola/historia/guerrafria/guerra1/descricaopanoramica.htm

http://www.tvcultura.com.br/aloescola/historia/guerrafria/guerra1/descricaopanoramica2.htm

Um dos momentos dramáticos da história da espionagem na Guerra Fria aconteceu em 1962. O presidente americano, John Kennedy, reagiu duramente contra a iniciativa soviética de instalar uma plataforma de mísseis em Cuba. Chegou a advertir o líder soviético Nikita Khruschev de que usaria armas nucleares se fosse necessário. Depois de três semanas, a União Soviética recuou. Durante esse tempo, o mundo viveu o pavor de um confronto nuclear entre as superpotências.