CRISE DO NEOLIBERALISMO E A ASCENSÃO DOS GOVERNOS DE ESQUERDA NA AMÉRICA LATINA

Crise leva à crise: a ligação entre o liberalismo econômico e o imperialismo capitalista

Por Tácio Barreto

 

A crise do neoliberalismo é um fato que vem ocorrendo na sociedade atual, não tem como negá-la, pois seus sinais estão por toda a parte. A crise se torna cada vez mais evidente, aparecendo em jornais, noticiários, internet e meios de comunicação em geral. A política neoliberal, que começou a ganhar espaço no século no século XX, com a idéia de grande para dinamização da economia e manter o governo afastado da economia, foi um dos grandes ideais do século, e que ajudaram as grandes potências de hoje a emergirem, porém hoje em dia a situação vêm se invertendo. A mesma política neoliberal que levou os grandes governos do mundo atual a este patamar hoje torna-se a maior ameaça da sua queda. A verdade é que quando a voz da minoria começou a ser escutada, o neoliberalismo viu pela primeira vez uma ameaça,a idéia de uma economia forte,sustentada por empresas privadas com o enriquecimento de poucos não era a vontade do povo, e com a manifestação minoritária, o mundo começou a ver esta situação com um olhar de preocupação,o que levou a ascensão dos governos de esquerda. O neoliberalismo é quase que um irmão da globalização,suas épocas áureas coincidem,o neoliberalismo,assim como a globalização se espalhou rapidamente pelo mundo, levando para outros países a influência capitalista e do “american way of life”, que levava para as pessoas de países subdesenvolvidos que ao aceitarem o regime capitalista logo se tornariam ricos,os homens poderiam ter carros e se divertir no fim de semana, e a mulher teria cosméticos e seria escrava da ditadura da beleza,além de conquistar a tão sonhada liberdade.Embora para muitos habitantes de países subdesenvolvidos algumas destas coisas sejam verdade,a maioria das pessoas do mundo passa fome,enquanto outras mais favorecidas queimam mendigos sem nenhum motivo, agridem aqueles com opiniões diferentes(tanto verbal quanto fisicamente),estragam comida e usam drogas.Os governos socialistas, tanto os ligados a extinta URSS, sempre foram contra as idéias neoliberalistas que se alastravam nos potências capitalistas e suas áreas de influência.O neoliberalismo levou a muitos países a riqueza, com fortalecimento da economia,mas para as “colônias capitalistas” as privatizações trouxeram demissão e desvalorização do trabalhador de empresas públicas.O neoliberalismo vem perdendo espaço para os governos de esquerda,que vem ascendendo nos países com economias crescentes.As maiores críticas ao neoliberalismo é que se ele está relacionado com a construção de uma economia forte porque as crises periódicos vem se tornando cada vez mais constantes. O neoliberalismo vem ainda hoje, mesmo que enfraquecido, dominando a economia mundial, com a criação de impérios empresarias em todos os ramos, desde tecnologia de ponta até a fabricação de papel higiênico. Desprestigiado pela mídia internacional o neoliberalismo ainda hoje, ao lado da globalização, vem monopolizando o mercado, com seus produtos multiuso. A economia é aquecida pelo mercado consumidor, que fica simplesmente enlouquecido com as facilidades e ofertas das transnacionais que rapidamente se misturam na cultura local, tornando-se uma empresa quase que local, além disso, o neoliberalismo esquenta tanto o mercado local quanto o das exportações, pois com empresas estrangeiras instaladas é muito mais fácil exportar. Porém hoje em dia a ascensão dos partidos de esquerda e dos líderes anti-liberalistas vem transformando o já não tão forte neoliberalismo em algo ainda mais escasso.


 

Hugo Chávez, um exemplo de superação

Por Guilherme Bayma

Quatro de Fevereiro de 1992, o tenente-coronel Hugo Rafael Chávez Frías protagoniza um golpe de Estado contra o então presidente venezuelano Carlos Andrés Pérez. Assim, apesar de sua tentativa fracassada, Hugo Chávez passou de um mero figurante nacional, naquele momento ele conquistou a popularidade, mas isso não saiu barato, lhe custaram dois anos de prisão. Hugo Chávez recebeu permissão para ceder entrevista em rede nacional para controlar os revoltosos (imagem ao lado), e então discursou: “Companheiros: infelizmente, neste momento, os objetivos que determinamos para nós mesmos não foram alcançados na capital. Isto é para dizer que nós em Caracas não fomos capazes de tomar o poder. Onde quer que vocês estejam, vocês desempenharam bem seus papéis, mas agora é tempo para repensar; novas possibilidades surgirão novamente e o país será capaz de ter definitivamente um futuro melhor.” . Os principais seguidores que Hugo Chávez recebeu, foram revoltosos que desde 1989, quando Pérez assumiu o poder, fizeram grandes revoltas diante do pacote de medidas econômicas neoliberais impostas por Pérez. O maior movimento foi o Caracazo, onde ônibus eram apedrejados e queimados; supermercados, shoppings, lojas eram saqueados e ainda tinham os vândalos que só queriam confusão e violência.

Com os fracassos do governo de Pérez e depois de Rafael Caldera, e com a popularidade que Hugo Chávez conquistou, em dezembro de 1998 a frente do Movimento V República e apoiado por coligações de esquerda, Hugo Chávez é eleito presidente da Venezuela, com a promessa de promover “uma revolutión pacífica y democrática”. Em fevereiro de 1999, Hugo Chávez assume a presidência e convoca um referendo para designar uma nova Assembléia Nacional Constituinte. Em dezembro de 1999 a nova Constituição é aprovada com 70% dos votos. Em julho de 2000 devido às exigências da Constituição houve uma nova eleição e Hugo Chávez é reeleito presidente da Venezuela com 59,7% dos votos.  No final do ano de 2000, a Assembléia Nacional aprovou a Ley Habilitante, que dava ao presidente direito de governar por decreto durante um ano. Essa medida recebeu muitas críticas, dizendo na maioria das vezes que foi uma medida ditatorial. Nesse período de um ano que ele não necessitava da aprovação da Assembléia Nacional, decretou quarenta e nove leis. No meio dessas quarenta e nove leis, estavam a Lei dos Hidrocarbonetos, que dava ao Estado 51% de participação no setor petrolífero, e a Lei de Terras e Desenvolvimento Agrário, que retirou legalmente as terras dos latifundiários. Essas novas leis foram criticadas pela Igreja, empresários, sindicatos e televisões privadas que acusavam Hugo Chávez de estar tornando a Venezuela um país socialista. No final de 2001, e durante 2002, o governo de Hugo Chávez teve fortes greves, inclusive sofreu uma tentativa de golpe de estado, porém não foi bem sucedida. A oposição pediu para que se realizasse uma consulta popular, onde os venezuelanos escolheriam se Hugo Chávez permaneceria no poder ou não. 55% votaram a favor de ele permanecer até o fim do seu mandato.

Em 2006, Hugo Chávez é reeleito com 62% dos votos. Em 2007, Chávez consegue nacionalizar empresas de telecomunicações e eletricidade, e também ocorreram os problemas com a rede de televisão mais antiga da Venezuela, Radio Caracas Telévision, que encerrou suas atividades após problemas com o governo. Em 2008, Hugo Chávez expulsa embaixadores de Israel e Estados Unidos da Venezuela e declara total discordância com Israel em relação a sua intervenção militar na Faixa de Gaza. No ano de 2009, o país sofreu uma grande crise, então nacionalizou os bancos que se recusaram a oferecer maiores créditos aos correntistas. Chávez também conseguiu que a Emenda constitucional que propusera a reeleição ilimitada do presidente e outros cargos públicos da Venezuela fosse aprovada. Sendo assim, Chávez terá chances de em 2012 concorrer novamente a presidência venezuelana e continuar sua incrível carreira política.

 

Lula, quando a esperança vence o medo.

Por Germano Wallerstein

Quando a União Soviética foi dissolvida, e os Estados Unidos saíram vencedores da Guerra Fria, ficou claro, a partir dali, que a nova ordem mundial seria o capitalismo, porém, com a crise do neoliberalismo, ascenderam vários governos de esquerda e com um pensamento mais socialista na América Latina, e também no Brasil. O Brasil teve sua história marcada por regimes ditatoriais, marcados pela concentração de renda e exclusão de uma parcela da população. Desde o Primeiro Reinado de Dom Pedro I o Brasil vem sofrendo com a ausência da democracia. Quando a Corte Portuguesa esteve no Brasil, por exemplo, eram cobrados pesados impostos sobre províncias como Pernambuco, que tinha uma boa renda provinda da cana de açúcar para poder sustentar a Corte no Rio de Janeiro, com forte repressão a qualquer um que se prostrasse contra essa centralização autoritária. Quando, finalmente, chegou a República, ela foi marcada pelo controle das oligarquias estaduais e da grande concentração de renda, onde os grandes latifundiários comandavam um estado centralizador e elitista. Em 1964, com o Golpe Militar, foi tirada a liberdade do povo, e, quando em 1985 ele chegou ao fim e, em 1989, foi eleito o primeiro presidente por voto direto após o Golpe Militar parecia que o povo tinha recuperado a confiança. Porém, com o Impeachment de Collor e o aumento da concentração de renda em algumas regiões do país no governo de Fernando Henrique Cardoso, Lula, migrante nordestino, sindicalista, que ajudou a derrubar a ditadura, assume o poder, com a grande responsabilidade de reviver as esperanças de grande parte da população, que foi excluída do poder por tanto tempo, que via seus direitos básicos sendo negados, e que agora sonha com dias melhores. A ascensão de Lula se deu, em grande parte, por um fenômeno que vem ocorrendo em toda a América Latina, com a ascensão de governos de esquerda por toda parte com Hugo Chávez na Venezuela, Tabaré Vázquez no Uruguai, Fernando Lugo no Paraguai, Evo Morales na Bolívia e outros, que se deve graças à falha da política neoliberalista, que vinha aumentando a desigualdade social nesses países. A política de diálogo com os movimentos sociais do governo Lula é um dos fatores que mais mostram esse lado social dos governos de esquerda. As negociações com militantes de grupos em como os dos sem-terra, os sindicatos, os ambientalistas, e vários outros movimentos. O governo Lula também sempre estimulou o fim do preconceito contra os negros, homossexuais, índios, além do preconceito e exclusão social dos pobres, que foi o grande grupo que ajudou Lula a se eleger. Os programas de inclusão social, como o Bolsa Família, também tem sido uma marca do governo, que vem estimulando a melhor divisão de renda e vem fazendo com que milhões de brasileiros ultrapassem a linha da pobreza. Essa nova ordem que vem se estabelecendo no Brasil vem provando ser um modelo muito mais eficiente de administração de um estado, e que tem como prova o alto de índice de crescimento econômico e social, além de uma economia mais sólida, capaz de superar crises como a de 2008 sem sofrer maiores danos, e os altos índices de aprovação do governo Lula, inclusive com a reeleição de Dilma são uma prova da volta da esperança ao povo brasileiro. Quando, no dia 27 de outubro de 2002 Lula foi eleito presidente, os povos historicamente excluídos mostraram sua vontade de mudar, a esperança venceu o medo.

 

 

México e a Crise do neoliberalismo

Por Adilson Ângelo

No segundo dia de julho do ano 2000, Vicente Fox Quesada, da oposição, assume o controle do México ao se tornar o primeiro presidente pelo seu partido (Partido da Ação Nacional) depois de 70 anos sob o controle do Partido Revolucionário Institucional (PRI). Fox assume o governo mexicano com um dos mais altos índices de popularidade já vistos na história mexicana, um fator que pode-se perceber quando se vê os governos latino-americanos nesta mesma época, Chávez em 1999, Fox em 2000, Lula e Morales em 2002, todos eram populares e oposicionistas, prometendo realizar os desejos da população implantando ideais de esquerda.

O que aconteceu com Quesada foi uma exceção, sua popularidade caiu drasticamente pelas mudanças tomadas pelo seu governo. Então promove uma reforma fiscal congelando os valores dos impostos sobre bens de consumo, saúde, educação, etc., porém a reforma não foi aceita pelo congresso. Quesada também esquentou as relações com os EUA, manifestando-se contra a Guerra do Iraque em plena tentativa de acordos a respeito da imigração México-EUA. Assim, Quesada caminhava para um fim de governo mais amargo que o seu doce começo na popularidade. Vicente Fox Quesada saiu do cargo presidencial no ano de 2006, dando lugar à Felipe Calderón.

Um dos fatores que contribuíram, assim como aqui no Brasil, para a entrada de um novo governo esquerdista no poder foi o passado do governo anterior. Com Ernesto Zedillo no poder, o México enfrentou enormes crises como a de 1990, ou A Crise Mexicana, chamada também de O Efeito Tequila levando à falência milhares de empresas, gerando desempregos e deixando milhões de pessoas afundadas em dívidas. Apesar de tudo isso o governo do México conseguiu se “recuperar” do fracasso da década de 90, mas isso não impediu que um monopólio de 70 anos acabasse. São de oportunidades como estas que os opositores se aproveitam para ganhar vantagem do partido adversário, a exemplo do que ocorreu no Brasil, FHC não fez um bom governo, Lula conseguiu realizar uma reforma de esquerda e está no poder até hoje e ainda conseguiu colocar a sua sucessora no poder, mas cada caso é um caso.

A transição de governos do México na crise neoliberal foi mais pacífica do que em outros países latinos-americanos como é o exemplo da Venezuela de Chávez, com várias revoltas em busca de uma mudança de modelo de governo. A decadência do neoliberalismo no México foi mais “democrática”, apesar de o PAN acusar o PRI de que todos os 70 anos no poder foram através de uma chamada “ditadura” manipuladora, mas o PAN, com Quesada, venceu as eleições de 2000 com 43% dos votos (no México não há segundo turno).

A hitória do PAN e dos esquerdistas prosseguiu no México posteriormente com Felipe de Jesús Calderón Hinojosa (à esquerda), sucessor de Vicente Fox Quesada na presidência do México, assumindo o posto no dia 1º de dezembro de 2006. Assim, a oposição ao liberalismo ou neoliberalismo consolidou-se, tanto no México, quanto na América Latina.

 

Fontes: http://www.un.int/mexico/biography_fox.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9xico

http://pt.wikipedia.org/wiki/Vicente_Fox

http://pt.wikipedia.org/wiki/PRI

http://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_da_A%C3%A7%C3%A3o_Nacional

http://pt.wikipedia.org/wiki/Felipe_Calderón

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ernesto_Zedillo

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hugo_Ch%C3%A1vez

http://pt.wikipedia.org/wiki/Neoliberalismo

http://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_In%C3%A1cio_Lula_da_Silva

http://pt.wikipedia.org/wiki/Chavismo

http://pt.wikipedia.org/wiki/Golpe_de_Estado_de_1992_na_Venezuela

http://pt.wikipedia.org/wiki/Caraca%C3%A7o

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rafael_Caldera_Rodr%C3%ADguez

http://pt.wikipedia.org/wiki/Governo_Lula#Caracter.C3.ADsticas

 

 

 

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